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Comunicado Baluarte Dragão

(Nota do Baluarte: Foi após críticas que visavam a TVI e os seus comentadores que fomos alvo de censura. Neste momento, estamos impedidos de publicar imagens ou vídeos e só nos é permitido escrever textos. Como logo na altura adiantámos, não nos inibiremos de continuar a criticar todas as manifestações de anti-portismo primário e todas as práticas centralistas que atrofiam este país. Ao afrontar a ditadura do nacional-benfiquismo, sabemos que corremos riscos, mas essa é a escolha que fazemos em consciência, porque no Porto a única opção é não desistir.)
Tem sido absolutamente vergonhosa a forma como a TVI tem lidado com o escândalo de corrupção e tráfico de influências que envolve a turma de Carnide. O canal de Queluz é sem dúvida a maior vítima daquilo que poderíamos designar como ‘efeito Correio da Manhã’: tendo em conta o indiscutível sucesso do estilo sensacionalista, manipulador e populista do CM, outros órgãos de comunicação social procuram copiar-lhe a receita. Neste caso, a cópia está a tornar-se muito pior e mais indecente do que o original – sim, por incrível que pareça, a TVI tem estado muito pior do que o CM neste caso. São vários os aspetos que o atestam.
1. A reação às primeiras denúncias
O escândalo rebentou na noite de terça-feira da semana passada (6 de junho). Na altura, havia dois protagonistas: Adão Mendes e Pedro Guerra. Os mails lidos por Francisco J. Marques eram muito claros: na época 2013/2014, o Benfica escolhia os árbitros para os seus jogos; quem prejudicasse o Benfica era castigado; o controlo da arbitragem pela turma de Carnide resultava de um árduo trabalho do “primeiro-ministro” Luís Filipe Vieira. O interesse público e a gravidade das matérias em causa eram indiscutíveis. Na manhã seguinte, este caso já estava presente nas capas de alguns jornais. À hora do almoço, já era objeto de peças nos noticiários da RTP, da SIC e da CMTV. A TVI, ‘casa’ de Pedro Guerra, foi o último canal com serviços informativos a reagir, alinhando dessa forma com a estratégia do Benfica. Era preciso tempo e oxigénio e foi isso mesmo que a TVI deu à cúpula benfiquista.
2. A proteção de Pedro Guerra
A primeira grande figura neste escândalo, do lado do Benfica, foi Pedro Guerra, que cedo viria a emergir como bode expiatório de um iceberg de que só a ponta se conhece. Para proteger o seu comentador fetiche, cujas prestações à segunda-feira são uma valiosa fonte de audiências, a TVI fez-lhe dois favores. Em primeiro lugar, antecipou para domingo o programa em que Guerra participa, o Prolongamento, dando-lhe oportunidade de se defender numa noite que se antevia complicada, tendo em conta o que se poderia passar em programas concorrentes na SIC Notícias e na RTP3. Para além disso, face à indisponibilidade de Manuel Serrão, em viagem no estrangeiro, escolheu para representar os adeptos do FC Porto alguém que, infelizmente para todos os portistas, se revelou incapaz de causar qualquer incómodo a Pedro Guerra. Por que não recorreu a TVI ao habitual comentador portista de domingo à noite nesse canal, Bernardino Barros (que seria até o substituto natural de Serrão)? Será que ainda têm presente aquele programa em que o BB dizimou Pedro Guerra, em 2015?
3. Os painéis pseudo-independentes
A partir de certo momento, a realidade acabou por se impor e a TVI não conseguiu fugir mais à abordagem deste assunto. A estratégia mudou e, depois de um inusitado silêncio inicial, a programação do canal acolheu de braços abertos aquilo que antecipava ser um sucesso televisivo. Se fugir era impossível, inscrever a retórica oficialista do Benfica passou a ser imperativo. Ao longo dos últimos dias, o tema tem sido discutido por vários comentadores supostamente independentes, entre os quais se destacam figuras como os fanáticos e assumidos benfiquistas Rui Pedro Braz e Luís Aguilar e o ex-árbitro António Rola, atualmente avençado do Benfica. Esta é uma estratégia muito clara de manipulação: perante o público, a TVI cria a sensação de que está a formar painéis de discussão equilibrados, imparciais e constituídos por convidados descomprometidos e acima de qualquer suspeita. O público que desconhece a história toda confia, mas no fundo está a ser alvo de um esquema de intoxicação perpetrado por pessoas que estão comprometidas com a agenda do Benfica. Também esta manhã, para debater o assunto, a TVI pôs em confronto o cartilheiro Diamantino Miranda (apresentado apenas como treinador e comentador TVI) e o pseudo-isento especialista em direito desportivo Lúcio Miguel Correia – que, surpresa das surpresas!, uma rápida pesquisa no Facebook permite confirmar que é benfiquista; e que, surpresa ainda maior!, se dedicou a desvalorizar completamente o conteúdo dos emails revelados e a destacar a gravidade do suposto crime informático que estará na origem da sua obtenção pelo FC Porto. Com debates destes, quem precisa de ir à missa?
4. A sondagem da vergonha
A cereja no topo do bolo do comportamento vergonhoso da TVI em relação ao Benficagate surgiu ontem à noite. O programa especial sobre os emails, na TVI24, foi acompanhado de uma sondagem online onde se perguntava: “O caso dos emails é um novo “Apito Dourado” do futebol português?”. As opções dadas eram: “Sim, e é mais grave”, “Sim, é igual”, “Não se compara.” O objectivo de dividir os “Sim” em duas alternativas era, obviamente, fazer com que a diluição conduzisse à vitória do “Não”, mas as coisas não correram como planeado. Ao longo da emissão, foram sendo apresentados resultados parciais que apontavam para uma vitória esmagadora da opção “Sim, e é mais grave”. Esses resultado eram consolidados e contavam com milhares de participações ao longo de várias horas. Às 23h48, foi divulgado o resultado final: 77% para o “Não se compara”. Mas quem entrasse no site da TVI três minutos depois, votasse e consultasse os resultados constatava que à frente, por larga margem (83,6%), continuava a hipótese “Sim, e é mais grave”. Uma avalanche de benfiquistas que permitiu uma inversão matematicamente e estatisticamente impossível? 50.000 telefones de Luís Filipe Vieira a ligarem em simultâneo? Algo de muito estranho se passou, não? Claro que não. O que se passou é muito simples: a TVI manipulou o resultado final da votação, alinhando-o com os interesses do Benfica e evitando a humilhação que se previa. Para além de desonesta, é uma atitude parva e infantil, principalmente tendo em conta o interesse deste tipo de sondagens – que é nulo –, mas a verdade é que a TVI se prestou a essa triste figura. E prestou-se porque é subserviente e, tal como Nuno Cabral, também quer ser o “menino querido” do Benfica.
Como já dissemos há uns dias, este escândalo é um teste ao Benfica, à justiça portuguesa e à justiça desportiva, mas também à comunicação social nacional. Até agora, ninguém se saiu tão mal neste teste como a TVI, que se assume cada vez mais como um bastião do nacional-benfiquismo. Uma realidade que nenhum de nós – portistas – deve ignorar nos momentos em que nos sentamos em frente à televisão com o comando na mão.

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