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Costinha: “No Porto, ia entrar numa discoteca quando o porteiro me pôs a mão no peito: ‘Isto não são horas para beber, amanhã há treino’”

Hoje ri-se quando recorda que primeiro disse “não” ao Mónaco, enquanto comia um prato de caracóis. Felizmente os amigos abriram-lhe os olhos e lá foi o médio diretamente da II divisão B portuguesa para o campeonato francês. Conhecido por Costinha, ministro, príncipe ou Chico, Francisco da Costa ganhou tudo o que havia para ganhar com o FCP, jogou na Rússia e em Espanha e passeou por Itália antes de abraçar uma curta carreira de diretor desportivo. Hoje é treinador, mantém a elegância, o gosto por vestir fato e confessa que quando chegar aos 50 anos vai comprar um Aston Martin.

Diz-se que no Porto os dirigentes não precisam de ir às discotecas porque as próprias pessoas informam o clube de quem lá está? Teve problemas com isso?

Tive. Tínhamos um jogo com o Manchester United, um jogo em que estava castigado e não podia jogar. Jogámos em casa, penso que com o Boavista no fim de semana, e a meio da semana havia jogo. Os jogadores acabam o jogo e vão para o estágio, quem não fosse escalado ia para casa. O Mourinho chegou ao pé de mim e disse: “Não vais jogar agora com o Manchester United, não vais para o estágio, vai para o hotel, vai para casa, vai jantar fora com a tua mulher, vai beber um copo, vai fazer o que quiseres; só tens treino na 2ª feira”. Sábado foi tudo para estágio e eu fui jantar com a minha mulher mais dois casais amigos e depois fomos beber um copo. Aquilo passou-se e na 2ª feira estou no treino e o Mourinho chama-me e mostra-me o telefone. Tinha recebido uma mensagem às 5 da manhã que dizia assim: “Mister, o Costinha saltou a janela do hotel, está aqui na discoteca com uma senhora e há jogo na 4ª feira. Quer que faça alguma coisa?” (risos). Ali era assim. Felizmente ganhei muitas vezes no FCP, mas mal havia um empate, entrava em casa e dizia a minha mulher: “Esta semana só comemos em casa. Não vou a lado nenhum”. Se perdíamos, então muito menos. Eram exigentes, muito exigentes, é a forma de eles serem.

Foi chamado a atenção uma vez numa discoteca, não foi?

Isso ainda foi com o mister Octávio. Estava castigado, tinha uma série de amarelos, o mister deu-me dois dias de folga e eu vou entrar com um colega meu, que na altura jogava no Salgueiros, também não estava convocado e vamos beber um copo à noite. Já não estava há muito tempo com esse meu amigo que foi meu colega no Nacional da Madeira, o Carlos Ferreira, e quando chego à porta da discoteca, o porteiro mete-me a mão no peito, olha para o relógio: “Não são horas para estar a beber copos. Amanhã tem treino”. Olhei para ele: “Desculpe, não estou a perceber. Quem é que diz que não posso beber copos?! Ponto número um, quem é que lhe disse que vou beber copos, segundo quem é você para não deixar, ou não quer que eu entre?”. Vem um gerente: “O que é que se passa?”. “Este senhor está aqui a dizer que eu não posso entrar”. E diz o gerente, que sabia mais do que o porteiro, “Então tu não vês que ele está castigado! Se calhar até está dispensado”. E ele “Está bem, mas olhe às duas da manhã, vou chamá-lo” (risos). E não é que foi mesmo? Tocou-me nas costas. “Por amor de Deus, deixa-me em paz” (risos). Mas fiquei ali mais uma hora e depois “Vamos embora Carlos, que eu não quero problemas” e fui-me embora. Tirando isso, não tive mais situações problemáticas até porque depois os adeptos têm uma coisa boa, é que eles reconhecem quem se entrega de corpo e alma ao clube, à camisola, ao jogo e valorizam isso. Nesse aspecto, sinto-me privilegiado porque me sinto valorizado pelos adeptos do Porto.

Entrevista competa no Tribuna Expresso


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