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A mensagem profética que empurrou André Villas-Boas para a presidência do FC Porto

Em conversa com John Obi Mikel, André Villas-Boas revelou o momento exato em que a ideia de liderar o FC Porto ganhou raízes: foi durante a passagem pela Rússia e através de uma mensagem inesperada.
A mensagem profética que empurrou André Villas-Boas para a presidência do FC Porto

Se achavas que a ambição presidencial de André Villas-Boas tinha nascido apenas na reta final da sua carreira de treinador, desengana-te. O atual líder máximo dos dragões esteve à conversa com John Obi Mikel no podcast The Obi One e levantou o véu sobre o gatilho emocional que colocou a cadeira de sonho da tribuna no seu horizonte: uma simples mensagem de telemóvel enviada por uma colaboradora do clube, numa altura em que ele estava a milhares de quilómetros da Invicta.

O clique que nasceu no frio da Rússia

Durante a passagem pelo Zenit de São Petersburgo, entre 2014 e 2016, Villas-Boas recebeu um vaticínio que nunca mais lhe saiu da cabeça. «Era o meu destino. Começou quando eu treinava o Zenit. Uma funcionária do FC Porto mandou-me uma mensagem a dizer que, um dia, eu seria presidente do FC Porto. A mensagem mexeu muito comigo e a partir daí fui assimilando cada vez mais a ideia», revelou o dirigente aos microfones do podcast conduzido pelo antigo médio nigeriano com quem se cruzou no Chelsea.

A semente germinou ao longo dos anos até resultar na candidatura em 2024 contra Jorge Nuno Pinto da Costa. O desfecho eleitoral histórico fechou um ciclo de décadas e abriu outro, mas a meta de AVB mantém-se bem vincada: «O FC Porto pertence aos sócios e eu candidatei-me em 2024 contra um presidente histórico que ganhou todos estes magníficos troféus. Ganhei as eleições e o meu propósito é servir o FC Porto e deixá-lo melhor do que estava quando assumi. Seria mais um sonho realizado».

Alívio na tribuna vs. adrenalina do banco

Questionado sobre as diferenças emocionais entre comandar a equipa do relvado ou gerir os destinos do emblema a partir do gabinete, Villas-Boas não hesitou em apontar o contraste de sensações. Para o antigo técnico, o sucesso tem agora um sabor muito diferente.

«Como presidente sente-se mais alívio, como treinador participa-se mais no processo. Como treinador, o envolvimento direto nas táticas e nos treinos traz mais prazer imediato. Como presidente sente-se mais alívio, ansiedade e uma grande responsabilidade por servir os sócios e gerir a instituição», explicou.

Ainda assim, o bichinho do relvado não desaparece de um dia para o outro. O dirigente portista confessou o embate que sentiu assim que assumiu funções e teve de regressar ao centro de treinos do Olival, numa reunião determinante logo após as eleições. «Houve um dia que mexeu muito comigo. Vinha a preparar-me há dois anos para as eleições e o choque emocional veio quando as ganhei e fui ao centro de treinos pela primeira vez, para encontrar-me com Sérgio Conceição. Reencontrar o relvado, sentir o cheiro da relva, ver as bolas, a organização…», confessou, sublinhando a transição psicológica exigida para desempenhar o papel de líder institucional sem cair na tentação de invadir o terreno técnico.

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