André Villas-Boas arrasa queixas do Benfica e denuncia «santa aliança» com o Sporting
Se estavas à espera de uma ressaca pacífica após o clássico no Estádio do Dragão, podes esquecer. À entrada para a gala dos Portugal Football Globes, André Villas-Boas não deixou nada por dizer e disparou em várias direções, rebatendo as críticas do Benfica à equipa de arbitragem liderada por Miguel Nogueira e apontando o dedo ao que considera ser um eixo bem coordenado na capital.
«Foi uma grande arbitragem»: o recado a Marco Silva e Rui Costa
O Benfica não gostou da atuação arbitral na derrota por 3-1 no Porto, mas o líder azul e branco fez tábua rasa dos protestos. Para Villas-Boas, a contestação do treinador das águias é fácil de explicar: «São frustrações normais de um treinador que chega agora ao futebol português e que perdeu o seu primeiro clássico. Enquadra-se na frustração de um jogo que não correu bem e procura arranjar justificações para o resultado».
Sobre o desempenho do juiz do encontro, o presidente portista foi categórico e garantiu que o desfecho não sofreu qualquer interferência: «Foi uma grande arbitragem. Pela primeira vez tivemos unanimidade nos especialistas de arbitragem. Há pouco mais a dizer. Se são unânimes, vão agarrar-se a quê?». Questionado ainda sobre as referências benfiquistas a uma suposta dualidade de critérios e ao registo disciplinar, Villas-Boas atirou com ironia: «O Rui Costa tem um episódio curioso no ano passado entre o Sudakov e um jogador do Vitória SC. Não sei se é a essa dualidade que se refere. A estatística que conheço é que o FC Porto tem 21 pontos em sete jornadas».
A acusação de «santa aliança» e o estado do futebol nacional
O tom subiu ainda mais quando o tema passou para o ambiente vivido no desporto português. Villas-Boas garantiu que tentou aproximar as direções, mas bateu com a porta assim que percebeu que as forças estavam desequilibradas nos bastidores. «O primeiro a chegar e o único a tentar a via de comunicação fui eu. Quando percebi que era um dois contra um, rapidamente me afastei. Se há algo bem presente é a santa aliança entre o Benfica e o Sporting que eu não posso aceitar», acusou.
Como prova desse bloco conjunto, o líder dos dragões deu exemplos práticos, desde o alinhamento comunicacional até às decisões estruturais da modalidade. Lembrou que Frederico Varandas foi das poucas vozes a apoiar publicamente Luciano Gonçalves na liderança do Conselho de Arbitragem — órgão cuja suspensão do presidente é exigida pelo FC Porto devido às suspeições recentes — e lamentou o posicionamento do rival da Luz em relação à centralização dos direitos televisivos, revelando que os encarnados enviaram mensagens privadas aos sócios para se manifestarem contra um projeto aprovado pela Liga. «A paz podre continua», concluiu o dirigente azul e branco.
Arranque perfeito a responder no relvado
Apesar do ruído exterior e das disputas institucionais, a resposta desportiva da equipa de Francesco Farioli tem sido irrepreensível. Os dragões mantêm o pleno na I Liga, com sete vitórias em outras tantas partidas, isolados no topo com 21 pontos. Para Villas-Boas, essa eficácia dentro das quatro linhas é o melhor antídoto contra o barulho que chega dos rivais.
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