Benni McCarthy explode no Quénia: sem visto de trabalho e salários em atraso
Lembras-te dos golos e da energia contagiante de Benni McCarthy com a camisola do FC Porto? O antigo ponta de lança sul-africano, que levantou a Liga dos Campeões de 2004 pelos dragões, está a viver um autêntico pesadelo burocrático e financeiro no comando da seleção do Quénia. Sem papas na língua, o técnico veio a público denunciar uma situação limite que ameaça descarrilar o trabalho dos Harambee Stars: trabalha há cerca de um ano e meio sem visto de residência e o balneário acumulou meses de prémios e salários por liquidar.
Um ano e meio como “imigrante ilegal”
A revelação mais surpreendente prende-se com o estatuto migratório de McCarthy e da sua equipa técnica. Em declarações à imprensa queniana, o treinador confessou que não possui autorização formal de trabalho, o que o obriga a apanhar o primeiro avião para fora de Nairobi assim que termina cada estágio ou partida da seleção.
McCarthy explicou que tem sido alvo de críticas dos adeptos locais por não ficar no terreno a observar os jogos do campeonato nacional, mas justificou-se com o receio de ter problemas graves com a justiça. Segundo o técnico de 48 anos, a Federação Queniana de Futebol (FKF) prometeu regularizar a situação à chegada, mas a promessa caiu em saco roto. Caso seja abordado pelas autoridades nas ruas da capital, arrisca acusações criminais por permanência ilegal no país.
Revolta no balneário e greve aos treinos
A tempestade não se fica pelas questões burocráticas da equipa técnica. A preparação da seleção do Quénia antes dos compromissos da qualificação para a Taça das Nações Africanas (CAN) de 2027 entrou em colapso com a recusa dos jogadores em subirem ao relvado para treinar, em protesto pelos sucessivos subsídios e prémios não liquidados.
Benni McCarthy colocou-se abertamente ao lado dos seus pupilos, garantindo que o grupo esteve quatro a cinco estágios sem receber qualquer cêntimo do que tinha sido acordado. O técnico desabafou que, embora o amor pelo futebol e a honra de representar a camisola do país sejam gigantes, ninguém trabalha de graça nem aguenta meses de incumprimentos sem questionar a razão de ali estar.
Tempestade antes do apuramento
O Quénia prepara o arranque da fase de apuramento para a CAN 2027 diante da Eritreia e da Guiné, numa prova em que até já tem presença assegurada na fase final por ser um dos países coorganizadores. No entanto, o clima nos bastidores é de cortar à faca. O aviso de Benni McCarthy foi direto e sem rodeios aos corredores do poder desportivo queniano: sem respeito pelos profissionais e sem condições mínimas de trabalho, não há projeto desportivo que resista.
Redigido com apoio de IA · revisto pela redacção do Super Portistas
Em resposta a
Em resposta a
Em resposta a