Villas-Boas abre o livro: a saída de Rodrigo Mora, a intensidade de Farioli e o respeito por Mourinho
Se há coisa que André Villas-Boas nunca fez foi esconder-se atrás de meias palavras. Numa extensa entrevista concedida ao diário italiano Corriere dello Sport, o presidente do FC Porto passou em revista vários temas quentes da atualidade azul e branca e do futebol internacional. Da dolorosa decisão de vender o prodígio Rodrigo Mora à Roma, passando pela exigência de Francesco Farioli e a admiração intemporal por José Mourinho, o líder portista não deixou nada por dizer.
«Mora tem um talento infindo e vai encantar em Roma»
A saída de Rodrigo Mora para a AS Roma no último defeso ainda mexe com as bancadas do Dragão, mas André Villas-Boas fez questão de explicar a lógica por detrás do negócio. O jovem criativo sentia que necessitava de mais espaço e minutos de jogo num plantel com enorme concorrência interna, o que abriu a porta ao interesse irrecusável dos italianos.
Para o presidente portista, a ida do esquerdino para as mãos de Gian Piero Gasperini tem tudo para dar frutos ao mais alto nível: «Tem um talento imenso. A seu tempo vai encontrar o espaço dele e encantar Roma, tenho a certeza absoluta. Tem personalidade e uma qualidade técnica fora do vulgar», vincou. Villas-Boas desvalorizou ainda as dúvidas sobre a compleição física do internacional sub-21 luso, atirando que Rodrigo Mora não precisa de passar a vida no ginásio para brilhar: «Não vai medir 1,80 metros e já tem nos pés toda a qualidade de que precisa. Com o trabalho tático de um mestre como Gasperini, pode tranquilamente chegar ao topo mundial».
A vida na cadeira de sonho e o ADN de Farioli
Questionado sobre as diferenças entre os tempos em que orientava da linha lateral e as exigências do cargo de presidente, Villas-Boas confessou que a perspetiva muda radicalmente. «Como treinador estás mais agarrado à emoção e às estratégias. Como presidente, resta apenas o sofrimento», brincou o dirigente.
No relvado, porém, a liderança técnica está entregue a Francesco Farioli, de quem o timoneiro azul e branco só tem elogios a fazer. O impacto do técnico transalpino na Invicta tem assentado na exigência máxima: «Estamos muito contentes com ele. Trabalha sempre com intensidade, pressão e velocidade, levando os jogadores para lá dos seus limites. Os rapazes suam a camisola, como se diz em Itália, e é disso mesmo que os adeptos gostam».
Mourinho e os desafios estruturais até 2028
A conversa tocou inevitavelmente no nome de José Mourinho, com quem Villas-Boas partilhou balneários marcantes no início de carreira. O presidente do FC Porto reiterou que o ‘Special One’ continua entre a elite mundial e salientou que estes confrontos competitivos dão brilho à modalidade. «O José continua entre os melhores do mundo, sempre o soube. Ele gosta destes grandes desafios», apontou.
A fechar, o dirigente portista olhou para os desafios estruturais da Liga portuguesa, com especial ênfase na centralização dos direitos televisivos prevista para 2028. Para André Villas-Boas, Portugal tem de acompanhar a evolução internacional e investir sem demoras: «Temos equipas com carências ao nível das infraestruturas e isso é um problema. Há muito para melhorar na tecnologia, no VAR, no número de câmaras na transmissão e no fora de jogo semiautomático para valorizarmos a nossa competição».
Redigido com apoio de IA · revisto pela redacção do Super Portistas
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