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«Não conseguia ver os jogos»: Samu desabafa sobre o calvário que lhe roubou o Mundial

Em entrevista sem filtros ao programa espanhol El Larguero, Samu Aghehowa recordou os meses negros após a grave lesão no joelho e revelou o convite para a final do Mundial.
«Não conseguia ver os jogos»: Samu desabafa sobre o calvário que lhe roubou o Mundial
Foto: Samu Aghehowa / FC Porto

Imagina estares a viver a melhor fase da tua afirmação, a empilhar golos no Dragão e com um lugar quase garantido no Mundial, até que, num instante, o joelho cede e o chão foge-te debaixo dos pés. Foi essa a travessia no deserto que Samu Aghehowa enfrentou em fevereiro, após romper o ligamento cruzado anterior do joelho direito diante do Sporting. Numa conversa emotiva e transparente com Manu Carreño no programa El Larguero, da rádio espanhola Cadena SER, o ponta de lança de 22 anos abriu o coração sobre a fatura mental de um calvário prolongado.

O quarto fechado e a dor de ver o sonho fugir

O golpe de perder o Campeonato do Mundo — conquistado precisamente pela seleção espanhola — foi tão violento que Samu admitiu não ter estômago sequer para ligar o ecrã. O avançado recordou os primeiros tempos de paragem em Sevilha, onde preferiu refugiar-se no piso de cima enquanto a família acompanhava o torneio. «Não vou mentir, não conseguia ver os jogos. Lembro-me que, no primeiro jogo, estava em casa, em Sevilha, e a minha mãe tinha o jogo a passar lá em baixo. Eu estava lá em cima e não conseguia ver. Foi muito difícil, não só os jogos da Espanha, como não conseguia ver nenhum jogo», confessou o camisola 9 portista.

O impacto psicológico isolou-o até dos amigos mais próximos. «No final, imaginava-me lá e não estar presente foi muito difícil psicologicamente para mim. Até os meus amigos me diziam para ir a casa ver os jogos e, no início, eu dizia-lhes que não podia», desabafou Samu, acrescentando que esse objetivo já vinha de longe: «Quando estava na equipa de reservas do Granada, jogar no Mundial foi um objetivo que me propus. Vê-lo tão perto e perdê-lo por um infortúnio foi muito difícil».

O telefonema de De la Fuente e a viagem a Nova Iorque

Apesar da distância forçada dos relvados, Samu nunca saiu do radar da Roja. O selecionador Luis de la Fuente fez questão de acompanhar o processo de perto com chamadas regulares de apoio, mas a grande surpresa surgiu já durante a pré-temporada.

A Federação Espanhola convidou o goleador a viajar até Nova Iorque para assistir ao vivo à grande final do Mundial. O ponta de lança encontrava-se em Inglaterra, no estágio do FC Porto, mas não hesitou. «Não estava à espera. Estava em estágio com o FC Porto em Inglaterra. O facto de terem esse carinho diz muito sobre a federação. Sem pensar duas vezes disse que sim e, alguns dias depois, lá fui. Foi muito bonito», recordou com evidente gratidão.

«Sinto-me novamente futebolista»

O pesadelo ficou definitivamente para trás com o regresso oficial aos relvados, consumado na vitória do FC Porto sobre o Benfica (3-1) no Dragão. Com 47 golos acumulados em 77 partidas de dragão ao peito antes e depois do infortúnio, o internacional espanhol fez questão de sublinhar o trabalho de quem o ajudou a erguer-se.

«Graças a Deus, este pesadelo já passou. O importante é que me sinto novamente futebolista e desfruto daquilo que mais gosto. É preciso dar os passos certos para que não haja complicações. Sinto-me até melhor do que antes. Estou grato aos serviços médicos do FC Porto e à minha família», rematou. Para os adeptos azuis e brancos, o regresso do seu homem-golo é o melhor reforço que poderiam pedir.

Redigido com apoio de IA · revisto pela redacção do Super Portistas

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