Operação Bilhete Dourado: Ministério Público vai exigir milhões da candonga a Fernando Madureira e cúmplices
Se julgavas que as contas da bilhética no FC Porto tinham ficado fechadas com o fim de uma era, desengana-te. O esquema que durante anos alimentou o mercado paralelo de ingressos no Dragão está a escassos dias de conhecer o despacho formal de acusação e a fatura apresentada pela Justiça promete ser pesadíssima: o Ministério Público prepara-se para exigir a devolução integral dos lucros obtidos na Operação Bilhete Dourado.
Cerca de 25 arguidos na mira dos procuradores
Segundo revelou o Jornal de Notícias, a investigação está praticamente concluída e aponta para a acusação de sensivelmente 25 pessoas. No centro das atenções surge novamente Fernando Madureira, antigo líder dos Super Dragões, considerado pelas autoridades o cabecilha de uma teia bem montada que desviava ingressos dos circuitos oficiais para abastecer a candonga.
Mas o antigo homem-forte da claque não operava no vazio. A lista de visados inclui familiares próximos de Madureira, outros membros influentes dos Super Dragões e, num ponto crucial para o funcionamento do esquema, pelo menos sete funcionários da Porto Comercial — a sociedade responsável pela bilhética na vigência da anterior direção azul e branca. Eram esses contactos internos que permitiam que milhares de bilhetes passassem de mão em mão até serem escoados a preços inflacionados aos adeptos.
Crimes graves e devolução de milhões
Em causa estão crimes de venda irregular de títulos de ingresso, abuso de confiança qualificado, branqueamento de capitais e, para os funcionários do clube, o crime de infidelidade. Mais do que eventuais penas de prisão, a grande arma do Ministério Público passa pelo recurso à figura jurídica da «perda de vantagem»: o Estado quer reaver e confiscar os lucros ilegítimos que, segundo os indícios recolhidos, renderam vários milhões de euros ao longo dos anos.
Recorde-se que este processo nasceu a partir de uma certidão extraída da Operação Pretoriano e conta com o próprio FC Porto constituído como assistente. Depois de auditorias internas terem exposto o impacto financeiro destas práticas lesivas no passado recente do clube, a Justiça prepara-se agora para apresentar a conta aos responsáveis pelo negócio clandestino.
Redigido com apoio de IA · revisto pela redacção do Super Portistas
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