Os 55 milhões que vencem em dezembro: o relatório e contas avisa para a liquidez do FC Porto
O empréstimo obrigacionista de 55 milhões de euros vence em dezembro de 2026 e a SAD admite que a liquidez de curto prazo «tornou-se mais exigente». A dívida total, essa, desceu 29 milhões.
Há um número no relatório e contas da FC Porto SAD que não apareceu em nenhum título de jornal: 127,2 milhões de euros. É quanto caiu, num ano, a diferença entre o que a SAD tem para receber a curto prazo e o que tem para pagar. O passivo corrente subiu 86,1 milhões e o ativo corrente desceu 41,1 milhões.
As obrigações de dezembro
A principal razão está numa data: dezembro de 2026. É nesse mês que vence o empréstimo obrigacionista FC Porto SAD 2023-2026, no valor de 55 milhões de euros, que por isso passou a contar como dívida de curto prazo. Somam-se os 62,8 milhões a mais que a SAD deve a fornecedores, essencialmente os clubes a quem comprou jogadores no verão de 2025.
O relatório não esconde o problema. Diz que «a posição de liquidez de curto prazo tornou-se mais exigente» e que o refinanciamento destes compromissos é uma das «prioridades centrais para o exercício seguinte». Um sinal já foi dado: o financiamento de 17,5 milhões do banco alemão OLB, que vencia em setembro de 2026, foi adiado por um ano.
A dívida total desceu
A notícia boa está no longo prazo. A dívida financeira líquida baixou 29,2 milhões de euros, para 220,8 milhões, e ficou mais barata e mais longa. Em 2024/25, a SAD emitiu 115 milhões de euros em obrigações a 25 anos, com juro fixo de 5,62% e rating de investimento da DBRS, colocadas junto de investidores nos Estados Unidos. Com esse dinheiro liquidou em janeiro de 2026 a titularização Dragon Finance No. 2, o que poupa cerca de 6 milhões até ao final de 2027 e devolve à SAD a totalidade das receitas televisivas até junho de 2028.
Em resumo: a casa está mais arrumada a dez anos, mas o próximo Natal vai ser caro.

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