Villas-Boas a salário zero: toda a administração da SAD custa menos de meio milhão por ano
No meio das 272 páginas do relatório e contas da FC Porto SAD há um quadro que passa despercebido: o das remunerações dos administradores. E a linha de André Villas-Boas tem um zero em todas as colunas.
O documento é claro: o presidente da Comissão Executiva «não tem remuneração fixa atribuída, dado ter informado a Sociedade que pretendia abdicar da mesma». Os administradores executivos abdicaram também de qualquer remuneração variável durante todo o mandato 2024-2027. Não há prémios, participação nos lucros, planos de acções nem planos de reforma.
Quanto custa a administração
O conselho de administração inteiro custou à SAD 486.500 euros em 2025/26. Quase tudo vai para o vice-presidente e CFO José Pedro Pereira da Costa: 308 mil euros de remuneração fixa, mais 42 mil de subsídio de alojamento por viver fora do Porto. Carlos Nuno Gomes da Silva recebeu 80.500 euros e as administradoras não executivas Ana Teresa Lehmann e Maria do Rosário Alves Moreira, 28 mil cada. A isto somam-se seguro de saúde, telemóvel e viatura de serviço para o presidente, o vice-presidente e os executivos.
Para pôr o número em perspetiva: as remunerações de jogadores e treinadores subiram de 53,0 para 70,9 milhões de euros no mesmo exercício. Os custos com pessoal do grupo chegaram aos 102,6 milhões, para uma média de 676 pessoas ao serviço.
As ações que valorizaram 186%
Villas-Boas não recebe salário, mas é acionista: detém a título pessoal 54.269 ações da SAD, 0,24% do capital. Com a cotação a fechar o exercício nos 3,00 euros, depois de uma subida de 186% em doze meses, essa participação vale cerca de 163 mil euros. Pereira da Costa tem 20 ações e 14 mil obrigações da SAD.
Os dados constam do Relatório sobre o Governo da Sociedade, parte integrante do relatório anual entregue esta quinta-feira à CMVM.
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