“Grandes profissionais valem muito dinheiro”: Villas-Boas explica cláusula de 20 M€ de Farioli
Se há alguém que sabe exatamente quanto custa arrancar um treinador do Estádio do Dragão para a Premier League, essa pessoa é André Villas-Boas. Em entrevista ao The Obi One Podcast, conduzido pelo seu antigo jogador John Obi Mikel e pelo jornalista britânico Chris McHardy, o presidente do FC Porto abriu o jogo sobre a situação de Francesco Farioli e explicou a razão de o técnico italiano estar blindado por uma cláusula de rescisão fixada nos 20 milhões de euros.
Mais caro do que AVB a caminho de Stamford Bridge
Com um sorriso à mistura, o líder portista não hesitou em comparar os números atuais com a sua própria transferência para Inglaterra, no verão de 2011, quando o Chelsea desembolsou 15 milhões de euros para o desvincular dos dragões.
“É um pouco mais caro do que eu era quando fui para o Chelsea. A cláusula de Farioli é de 20 milhões de euros. Grandes profissionais, com muito talento, valem muito dinheiro. Por isso fixámos uma cláusula de 20 milhões de euros”, atirou Villas-Boas, deixando bem claro o apreço que a estrutura portista tem pelo timoneiro de 38 anos.
O presidente azul e branco sublinhou ainda que a SAD agiu depressa para proteger o comandante da equipa: “Antecipámos a renovação em dezembro do ano passado, antes de conquistarmos o título. Acreditamos muito nele e ele em nós. Isso é muito bom”.
O peso dos projetos frente à loucura inglesa
Num mercado onde a Premier League tem um poderio financeiro quase inalcançável, Villas-Boas reconhece a dificuldade em travar investidas do futebol inglês, mas argumenta que a nova geração de treinadores já pensa a carreira de forma diferente.
“Hoje em dia, ao encontrarem os projetos certos, os treinadores tendem a ser muito mais cautelosos. Este clube oferece estabilidade, condições de treino e a vantagem cultural e competitiva de um grande clube europeu. Acho que os técnicos estão a começar a escolher mais os projetos do que os próprios clubes”, defendeu o dirigente.
Villas-Boas contextualizou ainda o nível de exigência na retenção de talento: “A Premier League atrai cada vez mais os melhores talentos, nós disputamos talentos até com os clubes do Championship, mas pensando na carreira, um técnico jovem como Farioli, aos 38 anos, quer escolher bem o seu próximo passo”.
A profecia que começou em São Petersburgo
A conversa com Obi Mikel revisitou também o percurso de Villas-Boas e a invulgar transição dos bancos para a presidência. O presidente do FC Porto confessou que a semente foi plantada há mais de uma década, quando ainda treinava na Rússia.
“Era o meu destino. Isso começou quando eu treinava o Zenit. Uma funcionária do FC Porto mandou-me uma mensagem a dizer que, um dia, eu seria presidente do FC Porto. A mensagem mexeu muito comigo e a partir daí fui assimilando cada vez mais essa ideia”, recordou, sublinhando que concorrer em 2024 contra Jorge Nuno Pinto da Costa foi o passo natural para servir o clube do coração.
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