Reviravolta na W52-FC Porto: Relação manda repetir julgamento de doping após prova ilegal
Quando muitos pensavam que a novela jurídica da W52-FC Porto estava arrumada na gaveta das sentenças definitivas, a justiça deu mais uma curva apertada. O Tribunal da Relação do Porto deitou por terra a decisão da primeira instância e ordenou a repetição do julgamento do mediático processo de dopagem, obrigando à reformulação do acórdão que tinha condenado os rostos principais da extinta formação azul e branca. Se acompanhaste o caso, prepara-te: o processo vai ter de voltar à pista.
Um papel em tribunal que deitou tudo a perder
Na base deste terramoto processual está a forma como foram recolhidas as declarações do antigo diretor desportivo da equipa, Nuno Ribeiro. Em plena audiência, o ex-ciclista prestou declarações através da leitura direta de um documento escrito, elaborado previamente. Adriano Quintanilha, o antigo homem-forte da estrutura, e a Associação Calvário Várzea Clube de Ciclismo não deixaram passar o detalhe e interpuseram um recurso que agora colheu total concordância dos desembargadores.
Para a Relação do Porto, a manobra é absolutamente inadmissível na lei portuguesa. Os juízes consideraram inequívoco que declarações de um arguido lidas a partir de um papel «elaborado em moldes e por pessoa desconhecidos» não podem servir de prova judicial. Mais grave ainda, segundo a decisão superior, foi o facto de o Tribunal de Penafiel ter aproveitado esse texto pré-fabricado não só como confissão válida, mas também como alavanca para ordenar outras diligências e justificar a culpa criminal dos arguidos no acórdão final.
Penas de prisão efetiva voltam à estaca zero
Esta reviravolta mexe diretamente com as decisões pesadas que tinham sido tomadas a 12 de dezembro de 2025. Nessa altura, no pavilhão anexo ao Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira, o tribunal aplicou penas efetivas de quatro anos e nove meses de prisão quer a Adriano Quintanilha, quer a Nuno Ribeiro, pelo envolvimento direto num esquema estruturado de doping desportivo. Os restantes arguidos, na maioria corredores apanhados na malha da Operação «Prova Limpa», tinham saído do tribunal com penas suspensas.
Importa sublinhar que esta decisão dos desembargadores não equivale a uma absolvição liminar dos visados. O processo não vai ser apagado nem as apreensões policiais esquecidas, mas a prova considerada viciada terá de ser expurgada. Na prática, a audiência será reaberta para que o tribunal de primeira instância reavalie a matéria sem o depoimento contaminado de Nuno Ribeiro, redigindo depois uma nova decisão jurídica devidamente limpa desse vício processual.
Ciclismo nacional continua preso à secretaria
Para quem segue a modalidade e assistiu ao desmantelamento forçado de uma das formações mais dominadoras da história recente da Volta a Portugal, o desfecho deixa um sabor amargo a déjà vu. O escândalo que dinamitou o ciclismo nacional em 2022 continua a arrastar-se pelos corredores dos tribunais, mostrando que o combate às práticas ilícitas no desporto também se ganha no rigor do direito processual.
A W52-FC Porto continua extinta da estrada, mas o processo-crime que marcou o fim de uma era no pelotão português ganha agora novos capítulos, prometendo manter réus, advogados e adeptos em suspenso por mais uns largos meses.
Redigido com apoio de IA · revisto pela redacção do Super Portistas
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