Crónicas

Ser portista sem cartas abertas


Ultimamente está na moda escrever “cartas abertas ” que duvido muito venham realmente a ser lidas pelos destinatários.  

Este é um desabafo de alguém que é portista desde pequeno e que cresceu a ver o Porto a ganhar ano após ano….

Nestes 35 anos vi um Porto dirigido por um grande senhor, capaz de tornar ouro o mais simples metal. De tornar um treinador mediano em campeão. Pinto da Costa criou uma mística, aquela de se fala. E pergunto-me muitas vezes o que é isto de ser Porto e de sentirem a camisola. É ver um leão entrar na nossa casa e perceber a dimensão do amor inequívoco de uma cidade de uma região e hoje de um mundo inteiro. Um clube onde suar não chega, é preciso sangrar ou morrer se for preciso.

Dar tudo… Se perder chorar ou ficar dias sem dormir. Perceber que estão os adeptos em casa a vibrar por eles …  Este crescimento deve-se a este enorme timoneiro. Nada dura para sempre. Os tempos obrigam os grandes a adaptarem-se.

E o FCPorto e o seu presidente tentaram fazer isso. Criaram a “estrutura” que tanto se fala também. Profissionalizaram-na. Montaram uma direcção pesada e de nomes reconhecidos nas suas áreas….

Viveram a glória com vitórias indiscutíveis no território nacional e o reconhecimento do mundo. Mas, algo falhou…. e a estrutura tremeu…. Angelino Ferreira saiu, Fernando Gomes antecedeu-lhe e, não sairam muito satisfeitos. O actual CEO ganhou poder… Jogadores como Rolando afirmam ser portistas mas recusam jogar no seu clube… Deixamos de ser a escola de centrais de extraordinária qualidade para apostarmos em estrangeiros com comissões exorbitantes aos empresários…. Estes, começaram a rodear a “estrutura”.

As contratações até há uns anos mantidas em segredo até ao ultimo segundo passaram a ser debatidas semanas antes… O passivo aumentou pese embora as enormes receitas. Eu, infinitamente agradecido ao meu eterno Presidente por ter tornado o meu clube num dos maiores do mundo, considero que está no momento de varrer todas as teias que se foram formando ou, simplesmente sair em glória.

Recordo que o próprio Pinto da Costa  há uns anos dizia que não negociava com empresários nem os queria no clube. Hoje, todas as contratações tem chorudos prémios e parcerias. O Porto, da mística da vitória, do querer e da garra está  a desaparecer para dar lugar a um entreposto de jogadores, a uma feira onde os empresários esfregam as mãos. Os treinadores, esses passaram a ser escolhidos de fora para dentro e a teimosia parece estar á frente dos interesses do clube.

Portista serei sempre mas, este não é o meu Porto. Quero um Porto de Joao Pinto, Jorge Costa, Paulinho Santos, André, Rodolfo, Jaime Magalhaes, Rui Barros, Gomes e com as pinceladas de classe de jogadores estrangeiros como Madjer, Hulk, Jardel etc. Contratar um atacado de jogadores da nacionalidade do treinador e de qualidade duvidosa que demonstram ser banais, não nos levará a lado nenhum. Vitor Pereira, André Vilas Boas, Jesualdo e muitos outros trabalham com o que o Presidente lhes colocava e não exigiam. Será que Jose Angel, Marcano, Tello, Adrian, Andres Fernandes, Bueno, entre outros são melhores que jogadores da formação como: Rafa, Ivo Rodrigues, André Silva, Gonçalo Paciência, Tomás entre outros? Quantos jogadores da B se tem afirmado na equipa A? Quantos jogadores foram contratados nos últimos 3 anos? Qual a espinha dorsal da equipa? Existe? Quantos jogam na nossa selecção?

Em relação ao treinador, eu era um adepto do seu estilo, do tipo de jogo que queria implementar mas, deixa muito a desejar quando por exemplo exige a saída de um craque como Quaresma ou quando lança um Ruben Neves e depois retira a aposta, não faz do Quintero o que poderia ser….Quando não arrisca, quando insiste na lateralizaçao em vez da profundidade ou quando tem uma obsessão pela contratação de médios todos para a mesma posição. 

No fundo, este Porto só precisa do verdadeiro Pinto da Costa ou no limite de alguém que não se corrompa, que saiba o que é ser Porto e que sirva o clube

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