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UM GALEGO QUE SE TORNOU UM GRANDE DRAGÃO

​Moncho López irá liderar o Dragon Force na Liga, mantendo a aposta na formação de atletas jovens e portugueses

Se cumprir até ao fim o contrato de cinco anos que assinou esta terça-feira, Moncho López irá totalizar 11 anos ao serviço do FC Porto. Trata-se de uma marca pouco comum para um treinador de qualquer modalidade, mais ainda quando se trata de um estrangeiro. Porém, o técnico de 45 anos – nasceu a 10 de Julho de 1969 no município de Narón, em Ferrol, no Norte da Galiza – já é um Dragão de pleno direito. A sua forma de se relacionar com os adeptos, encarar o desporto e a dedicação de alma e coração ao clube é digna de um grande Dragão. Para além do mais, é acompanhada de títulos: nos azuis e brancos, já conquistou um Campeonato da Liga portuguesa, duas Taças de Portugal, uma Supertaça, duas Taças Hugo dos Santos e um Troféu António Pratas. Já sob o nome Dragon Force, venceu as duas edições da Proliga em que participou, tendo agora como missão preparar a equipa para o regresso ao escalão principal.

“Este projecto vai dar um passo em frente ao nível da equipa sénior, mas vamos manter a sua filosofia, apostando não só na formação de atletas jovens e portugueses, como também de treinadores. Ou seja, vamos continuar a ir buscar jogadores às equipas de formação para continuarmos a ter um grupo de 20 e tal atletas, como aconteceu este ano”, afirmou o técnico ao www.fcporto.pt. Será assim dada continuidade ao plano a que Moncho se dedica há três anos, após a suspensão da equipa sénior de basquetebol do FC Porto. Primeiro na sombra, como coordenador, nas últimas duas épocas como treinador.

Numa modalidade com graves problemas de competitividade em Portugal, o Dragon Force tem vindo a abrir novos horizontes e a “filosofia do projecto” será mantida. “A Liga principal vai exigir a responsabilidade de ter uma equipa mais competitiva. Queremos consolidar os alicerces do plantel, que terá de ser reforçado com alguns jogadores para posições nas quais estamos carenciados, porque não podemos inventar talentos. No entanto, queremos manter a espinha dorsal”, afirmou o técnico, que vai conciliar o comando dos Dragões com o da selecção de Angola, que defende o título do Afrobasket, em Agosto.

Será apenas mais uma aventura numa carreira rica e precoce. Aos 17 anos, já treinava os cadetes no colégio que frequentava, o Santiago Apóstol, e ainda não tinha completado 30 quando deixou pela primeira vez a Galiza para assumir o comando do Gijón, que ascendeu à ACB, a principal liga espanhola, em 1999. Tornou-se assim o treinador mais jovem de sempre nesse escalão. Em 2002, é convidado para o lugar de adjunto da selecção sénior espanhola, chegando ao posto de treinador principal após o Mundial de 2002, com apenas 33 anos.

Ao comando da selecção espanhola, em que orientou estrelas como Juan Carlos Navarro, Pau Gasol e José Calderón, conquistou a medalha de prata no Eurobasket 2003, mas indefinições no projecto levaram-no a sair. Depois, comandou o Breogán e o Caja San Fernando, de Sevilha, chegando em 2008 a Portugal para orientar a selecção nacional. Durante um ano acumulou esse cargo com o de treinador do FC Porto, clube ao qual chegou após uma temporada 2008/09 falhada. Passado dois anos sagrar-se-ia campeão nacional, dando cumprimento ao que disse quando pisou pela primeira vez o Dragão Caixa: “A natureza do FC Porto é ganhar títulos”. Moncho López é um verdadeiro tripeiro de gema e o facto de ter nascido na Galiza, que até mantém tantos laços com o Norte de Portugal, é um mero pormenor.

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