André Villas-Boas Detalha Situação Financeira ‘Quase Impossível’ no FC Porto à Chegada à Presidência
O presidente do Futebol Clube do Porto, André Villas-Boas, recordou recentemente o estado financeiro “quase impossível” em que encontrou o clube aquando da sua tomada de posse, em abril de 2024. As declarações, proferidas em entrevista, sublinham a gravidade da situação que a sua direção teve de enfrentar para recuperar a estabilidade financeira do emblema azul e branco.
Villas-Boas, eleito a 27 de abril de 2024, sucedendo a Jorge Nuno Pinto da Costa após 42 anos de presidência, descreveu um cenário de “calamidade, de liquidez e rotura total” no clube. Segundo o presidente, o FC Porto tinha “responsabilidades de 16 milhões de euros para pagar num mês e não tinha nenhuma possibilidade de fazer face às mesmas” logo após a sua posse.
A superação desta fase inicial crítica foi possível graças à “generosidade” de sócios do clube, que permitiram uma “injeção de capital imediata” para cobrir obrigações urgentes. Estas incluíam pagamentos a fornecedores, a outros clubes, e salários em atraso a funcionários e jogadores de diversas modalidades.
A nova administração implementou um plano de reestruturação financeira. Em novembro de 2024, o FC Porto concretizou uma emissão obrigacionista designada “Dragon Notes”, no valor de 115 milhões de euros, através de uma colocação privada junto de investidores institucionais. Esta operação visou refinanciar a dívida existente e financiar a atividade global do clube, permitindo uma extensão da maturidade média da dívida e uma redução do custo médio de financiamento.
Adicionalmente, a venda de parte da Porto StadCo à Ithaka contribuiu para elevar o capital total em cerca de 180 milhões de euros. Em janeiro de 2025, as vendas dos passes de jogadores como Nico González e Galeno geraram uma injeção de capital de 110 milhões de euros. Em 11 meses de gestão, a direção de Villas-Boas conseguiu proceder ao pagamento de 179 milhões de euros do passivo do clube, incluindo a recompra dos direitos televisivos que estavam antecipados até 2028.
Estes esforços resultaram numa melhoria significativa das contas do clube. A SAD do FC Porto registou um lucro recorde de 39,2 milhões de euros no exercício de 2024/25, revertendo um prejuízo de 21,063 milhões de euros da temporada anterior. Os capitais próprios, embora ainda negativos, melhoraram substancialmente, passando de 113,761 milhões de euros negativos para 10,458 milhões de euros negativos a 30 de junho de 2025.
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