Assembleia Geral da Liga Portugal Decisiva para Centralização de Direitos Televisivos sem Presidentes dos ‘Três Grandes’
A Liga Portugal realiza esta segunda-feira uma Assembleia Geral Extraordinária crucial para o futuro financeiro do futebol profissional português, com a votação da chave de repartição das receitas provenientes da comercialização centralizada dos direitos audiovisuais da I e II Ligas. Contudo, a reunião, que teve início às 10h00 na Arena Liga Portugal, no Porto, assinala-se pela ausência dos presidentes dos três maiores clubes nacionais: André Villas-Boas (FC Porto), Frederico Varandas (Sporting CP) e Rui Costa (Benfica).
Os clubes estão representados por outros dirigentes de topo. O Futebol Clube do Porto conta com a presença de José Pedro Pereira da Costa, Chief Financial Officer (CFO) da SAD dos dragões, acompanhado por Nuno Santos Rocha, responsável jurídico. O Sporting Clube de Portugal é representado por André Bernardo, administrador executivo da SAD leonina e Diretor de Estratégia e Operações. Pelo Sport Lisboa e Benfica, marca presença Nuno Catarino, CFO da Benfica SAD e vice-presidente do Conselho de Administração da SAD.
Esta Assembleia Geral é um passo fundamental no processo de centralização dos direitos de transmissão, que entrará em vigor a partir da temporada 2028/29. O modelo de comercialização centralizada dos direitos audiovisuais já havia sido aprovado por maioria (mais de 90% dos votos favoráveis) numa Assembleia Geral anterior, a 17 de abril de 2026, embora com o voto contra do Benfica e a abstenção do Nacional.
A discussão atual centra-se na complexa chave de distribuição das receitas. A proposta da Liga Portugal prevê que 90% do montante total seja destinado aos clubes da I Liga e os restantes 10% à Liga 2. Para o escalão principal, a repartição baseia-se em cinco critérios: 44,2% por mérito desportivo (classificação final, histórico de posições e contribuição para o ranking da UEFA), 33,2% distribuídos igualmente por todos os clubes, 17,6% por assistências médias e audiências televisivas, e cerca de 3% por condições de transmissão. No entanto, o Nacional, presidido por Rui Alves, apresentou uma proposta alternativa que visa beneficiar os clubes do segundo escalão e os pior classificados da I Liga, tendo o presidente do FC Porto, André Villas-Boas, ameaçado com ações judiciais caso esta proposta seja aprovada.
A centralização dos direitos televisivos é vista como uma oportunidade para o futebol português atingir valores globais na ordem dos 225 milhões de euros por época. Contudo, Nuno Catarino, CFO do Benfica, expressou anteriormente a preocupação de que a centralização possa resultar numa perda de 15 a 20 milhões de euros anuais para o clube, classificando a situação como “inaceitável”. O processo, após a votação de hoje, ainda dependerá de validação governamental e do parecer das entidades reguladoras competentes.
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