Médico do FC Porto Afirma que Iker Casillas Tinha Condições para Voltar a Jogar Após Enfarte

Nélson Puga, diretor clínico do FC Porto, declarou em tribunal que o antigo guarda-redes Iker Casillas podia ter regressado à alta competição um ano após o enfarte do miocárdio sofrido em 2019, sem sequelas funcionais. Esta afirmação surge no âmbito do processo judicial em que Casillas procura que o enfarte seja reconhecido como acidente de trabalho.
Médico do FC Porto Afirma que Iker Casillas Tinha Condições para Voltar a Jogar Após Enfarte

O diretor clínico do FC Porto, Nélson Puga, garantiu esta quarta-feira em tribunal que o antigo guarda-redes Iker Casillas estava apto para regressar à alta competição um ano após o enfarte do miocárdio sofrido em 2019, não tendo ficado com sequelas funcionais. A declaração foi proferida durante a terceira sessão do julgamento que opõe o antigo guarda-redes ao clube e à seguradora Fidelidade, no Tribunal do Trabalho do Porto.

Nélson Puga, especialista em medicina desportiva e diretor do departamento médico do FC Porto desde 1997, afirmou categoricamente que “a 2 de maio de 2020 podia ter voltado à competição de alto nível. Isso não tenho a mais pequena dúvida”. O médico acrescentou que o risco de um novo episódio cardíaco era reduzido, desde que o espanhol cumprisse a medicação prescrita.

Durante a sua audição, Puga explicou que os exames realizados ao longo do tempo nunca revelaram doença coronária, apenas um ligeiro aumento de colesterol, o que não justificava testes cardíacos mais aprofundados. Questionado pelo advogado da seguradora, o médico do FC Porto rejeitou a ideia de que o treino tenha provocado o enfarte, sublinhando que “o enfarte decorre da doença. Tudo o resto são especulações. Não há trabalhos científicos que permitam dizer que foi o treino que provocou o enfarte”, e que Casillas não fez qualquer esforço anormal nessa manhã.

Iker Casillas sofreu um enfarte agudo do miocárdio a 1 de maio de 2019, durante um treino do FC Porto, tendo sido submetido a um cateterismo cardíaco. Apesar da recuperação, o antigo internacional espanhol não voltou a jogar profissionalmente, anunciando a sua reforma. Na perspetiva de Nélson Puga, a decisão de não regressar aos relvados resultou de uma conjugação de fatores, nomeadamente a “perda de motivação” do jogador e a falta de interesse de ambas as partes em renovar contrato.

O cardiologista Luís Macedo, que acompanhou Casillas após o enfarte, também foi ouvido em tribunal e corroborou que a rapidez da intervenção permitiu limitar os danos no músculo cardíaco. Segundo o cardiologista, Casillas recuperou a capacidade funcional, nunca apresentou arritmias nos exames de seguimento e manteve uma função cardíaca preservada, afirmando que, na sua opinião, Casillas “podia jogar”.

Casillas avançou com uma ação judicial para que o enfarte seja considerado um acidente de trabalho, reclamando da seguradora Fidelidade o pagamento de 750.821,91 euros por incapacidade temporária absoluta e de 1.521.780,82 euros por incapacidade permanente absoluta para o trabalho habitual. O antigo guarda-redes exige ainda que o FC Porto assuma os valores não cobertos pelo seguro e futuras despesas médicas.

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