Processo ‘Bilhete Dourado’: Fernando Madureira e Familiares Constituídos Arguidos em Esquema de Bilhética do FC Porto
Fernando Madureira, ex-líder da claque Super Dragões, foi formalmente constituído arguido no âmbito do ‘Processo Bilhete Dourado’, uma investigação que apura um alegado esquema de desvio de avultadas quantias através da comercialização irregular de bilhetes do Futebol Clube do Porto. A constituição de arguido de Madureira ocorreu há cerca de duas semanas, na sua residência em Vila Nova de Gaia, antes de regressar ao Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira para cumprir a pena da ‘Operação Pretoriano’.
Este processo, que poderá culminar com cerca de 30 arguidos e uma acusação nos próximos meses, centra-se na suspeita de que a atividade terá gerado uma fortuna significativa ao longo dos últimos anos. Uma auditoria promovida pelo FC Porto concluiu que os Super Dragões acumulavam uma dívida de aproximadamente dois milhões de euros relacionada com bilhetes cujo valor, alegadamente, nunca chegou aos cofres do clube.
A investigação sustenta que o esquema envolveria a utilização das Casas do FC Porto para angariar bilhetes, que seriam posteriormente vendidos no mercado negro. Há suspeitas de conluio entre funcionários do clube e elementos da claque na aquisição e venda irregular de ingressos.
Vários familiares de Fernando Madureira já haviam sido constituídos arguidos na ‘Operação Bilhete Dourado’, desencadeada em maio de 2024. Entre eles, encontram-se a sua mulher, Sandra Madureira, a filha Catarina, e os sogros. As autoridades suspeitam que, após a prisão de Fernando Madureira, Catarina Madureira terá assumido a gestão do alegado negócio da venda de ingressos.
A ‘Operação Bilhete Dourado’ teve origem numa certidão extraída do inquérito que levou à ‘Operação Pretoriano’. Parte da prova recolhida na ‘Operação Pretoriano’, incluindo bilhetes encontrados na posse de suspeitos e o dinheiro e automóveis apreendidos ao casal Madureira, foi integrada neste novo inquérito. Em maio de 2024, a operação resultou na constituição de 13 arguidos e na apreensão de cerca de 3.000 ingressos e 44.400 euros, entre outros bens.
Fernando Madureira entregou-se voluntariamente no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira na passada quinta-feira para cumprir o restante da pena de prisão efetiva a que foi condenado no âmbito da ‘Operação Pretoriano’. A condenação, de três anos e quatro meses, resultou de incidentes ocorridos na Assembleia Geral do FC Porto em novembro de 2023. Após ter cumprido cerca de dois anos em prisão preventiva, resta-lhe agora cumprir um ano e quatro meses de cadeia.
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