Villas-Boas Defende Chave de Repartição dos Direitos Televisivos e Comenta Críticas de Rui Alves
André Villas-Boas, presidente do Futebol Clube do Porto, manifestou-se novamente sobre a centralização dos direitos televisivos do futebol português, afirmando que a chave de repartição aprovada está “bem feita” e representa um “passo decisivo na construção de um bom futuro do futebol português”. As declarações foram proferidas durante uma visita à Casa FC Porto de Monção, onde o líder portista abordou o tema que tem gerado debate no panorama desportivo nacional.
A centralização dos direitos audiovisuais das competições profissionais de futebol em Portugal é uma medida consagrada pelo Decreto-Lei n.º 22-B/2021, de 22 de março, com a sua implementação prevista para a época desportiva de 2028/2029. O objetivo principal desta iniciativa legislativa é valorizar os direitos televisivos e multimédia, promovendo uma distribuição de receitas mais equitativa entre as sociedades desportivas.
A proposta da Liga Portugal para a chave de distribuição das receitas foi aprovada em Assembleia Geral extraordinária, realizada a 8 de junho de 2026, com mais de 80% dos votos a favor. O modelo prevê que 90% do montante total seja destinado aos clubes da Liga Portugal e os restantes 10% aos emblemas da Liga 2. No escalão principal, a distribuição das verbas será definida por cinco critérios, com a maior fatia (44,2%) alocada com base no mérito desportivo, que inclui a classificação final no campeonato, o histórico de classificações e a contribuição para o ranking da UEFA. Uma parcela de 33,2% será distribuída em partes iguais por todos os clubes, enquanto 17,6% dependerá das assistências médias nos estádios e das audiências televisivas. Os restantes critérios incluem as condições oferecidas para as transmissões (3%) e a qualidade do relvado, iluminação e infraestruturas para a comunicação social (1%).
Contrariamente à posição de Villas-Boas, Rui Alves, presidente do Nacional, tem sido um crítico veemente do modelo de distribuição proposto pela Liga. O dirigente madeirense argumenta que a proposta não corrige os desequilíbrios existentes, limitando-se a atenuá-los ligeiramente e mantendo estruturas de concentração que prejudicam a competição. Rui Alves apresentou uma proposta alternativa que previa uma parcela fixa de 36% das receitas para todos os clubes, em contraste com os 15% propostos pela Liga Portugal. Em declarações anteriores, Rui Alves chegou a classificar André Villas-Boas como “ignorante” nesta matéria, após o presidente do FC Porto ter ameaçado com ações judiciais caso a proposta do Nacional fosse aprovada.
Em resposta às críticas, Villas-Boas salientou que a realidade do modelo aprovado “agrada à maior parte dos clubes” e que a chave de repartição “valoriza, claro está, todos os outros clubes”, ao mesmo tempo que “mantém também o que é o dignificar dos três grandes e da sua importância enquanto motor económico do futebol português, porque isso é inegável”. O presidente portista enfatizou que esta distribuição reflete a demografia associativa de Portugal. Com a aprovação da chave de repartição, os próximos passos envolvem a negociação no mercado para encontrar as melhores soluções de comercialização dos direitos.
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