Villas-Boas e as “Rugas” do Mercado: “Perdemos Horas a Criar o FC Porto Ainda Mais Atrativo”
O presidente do Futebol Clube do Porto, André Villas-Boas, concedeu uma entrevista ao programa “Primeiro Toque”, conduzido por Márcia Ribeiro Pacheco, onde abordou as complexidades e os desafios do mercado de transferências, referindo-se a este como uma área que lhe causa “muitas rugas” e que “deteriora a saúde e o aspeto físico”.
Villas-Boas expressou a frustração de identificar “muitos grandes talentos” que, por vezes, não se concretizam devido a outros interesses ou clubes, o que leva a que “todo o trabalho feito vá por água abaixo”. Para contrariar esta realidade, o líder portista destacou a importância do trabalho de antecipação e do esforço contínuo para tornar o FC Porto um destino mais apelativo para os jogadores.
Nesse sentido, o presidente azul e branco sublinhou o sucesso da época de contratações de 2025/26, que considerou fruto de “horas e horas e horas em reuniões” e de “muitas reuniões secretas” dedicadas a “criar o FC Porto ainda mais atrativo para muitos talentos”. Estas ações permitiram reunir “talentos extraordinários” para o plantel.
André Villas-Boas detalhou ainda o processo de contratação, que se inicia com listas de scouting, uma estrutura que tem sido “altamente evoluída com novas tecnologias e novas ferramentas”, incluindo o manuseamento e gestão de dados e a introdução da inteligência artificial. Destacou a contratação de Samu para a época 2024/25 como a mais complexa da sua gestão, um negócio “fechado em 24 horas” após o falhanço da sua transferência para o Chelsea. Mencionou também Victor Froholdt e Jakub Kiwior como exemplos de aquisições bem-sucedidas para a temporada 2025/26, que exigiram “batalhas” e “janelas de tempo muito curtas para atuar”.
O presidente portista também abordou a reestruturação interna do clube, nomeadamente a eliminação da figura do diretor desportivo para a época 2025/26, visando uma “linha direta e única” entre o treinador e o presidente, o que, na sua perspetiva, confere uma “vantagem competitiva”. A nível financeiro, Villas-Boas reiterou a prudência, afastando a hipótese de um “mercado de transferências de 100 milhões de euros”, apesar dos esforços para reestruturar a dívida e garantir a sustentabilidade financeira do clube. A estratégia passa também por “antecipar cada vez mais aos outros e ir buscar aos 16 e 17 anos” os jovens talentos.
André Villas-Boas manifestou o desejo de “criar bases suficientes que sustentem o FC Porto no primeiro lugar durante muitos anos” e de manter os valores da instituição, como a “resistência, a resiliência, o lutar contra tudo e contra todos”, que considera uma “vantagem competitiva”.
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