Viúva de Pinto da Costa Reage a Queixa-Crime por Alegado Esvaziamento de Contas
Cláudia Campo, viúva de Jorge Nuno Pinto da Costa, antigo presidente do Futebol Clube do Porto, encontra-se no centro de uma disputa judicial após a apresentação de uma queixa-crime por Alexandre Pinto da Costa, filho do falecido dirigente. A queixa alega o esvaziamento das contas bancárias e o desaparecimento de outros bens do património de Pinto da Costa nos meses que antecederam a sua morte, ocorrida a 15 de fevereiro de 2025, aos 87 anos.
Alexandre Pinto da Costa, filho mais velho do ex-presidente, interpôs a queixa-crime no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Porto, além de ter iniciado ações cíveis, incluindo um processo de inventário e uma petição de herança para localizar o património do pai. As suspeitas recaem sobre movimentações financeiras significativas, como levantamentos quase diários de milhares de euros e transferências, que terão ocorrido numa fase em que Jorge Nuno Pinto da Costa estaria já muito debilitado, acamado e com limitações que levantam dúvidas sobre a sua capacidade cognitiva para autorizar tais operações.
Entre os movimentos sob escrutínio, destaca-se um levantamento de 600 mil euros em numerário em dezembro de 2024, cerca de dois meses antes do falecimento de Pinto da Costa, e uma transferência de 100 mil euros para a conta de Cláudia Campo. A queixa aponta para a existência de mais de 70 contas bancárias em Portugal, algumas das quais se encontram com saldos residuais ou a zero, e a existência de contas no estrangeiro que Alexandre não conseguiu identificar. Além do dinheiro, o filho do antigo presidente denuncia o desaparecimento de obras de arte, dezenas de relógios de luxo (como Rolex e Patek Philippe) e outras peças de ouro do recheio da casa de Pinto da Costa.
Cláudia Campo, gestora bancária de 48 anos, casou-se com Jorge Nuno Pinto da Costa em agosto de 2023, após terem-se conhecido em 2017 no balcão do Banco Santander onde ela trabalhava. Como cabeça de casal da herança, Cláudia Campo foi intimada pelos tribunais a apresentar, no prazo de 30 dias, uma relação completa do património disponível. Fontes próximas indicam que Cláudia Campo se mantém “tranquila” face ao processo judicial, afirmando que não agiu por decisão própria e que pessoas próximas de Pinto da Costa, incluindo a sua filha Joana, estão cientes da forma como as coisas foram conduzidas. A viúva contestou a ação, defendendo que os bens declarados refletem a vontade do falecido e negando qualquer omissão ou manipulação.
A disputa estende-se também ao testamento de Pinto da Costa, que Alexandre poderá tentar anular, alegando que o pai não estaria em plenas “condições cognitivas” quando o alterou em dezembro de 2024. Nesta alteração, Alexandre Pinto da Costa terá ficado limitado à quota mínima legal da herança, correspondente a um terço. O Ministério Público abriu uma investigação para apurar os factos. Alexandre Pinto da Costa reclama quase 3,7 milhões de euros à viúva num dos processos. Apesar da controvérsia, Cláudia Campo continua a residir na mansão que partilhava com o ex-presidente e deverá receber uma pensão vitalícia, alegadamente superior a 5 mil euros mensais.
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