Caso Casillas: Médica garante em tribunal que rutura da placa ocorreu em pleno treino do FC Porto
Se ainda guardas na memória o susto de 1 de maio de 2019, quando Iker Casillas caiu inanimado no Olival e deixou o mundo do futebol em choque, sabe que esse dia continua a ser dissecado ao milímetro na justiça. Esta sexta-feira, o Tribunal do Trabalho do Porto ouviu um depoimento de peso: Isabel Quelhas, a cardiologista que recebeu e assistiu o antigo internacional espanhol no hospital logo após o episódio, afirmou perante a juíza ter a «certeza» de que a rutura da placa aterosclerótica que originou o enfarte aconteceu precisamente durante o treino dos dragões.
«A dor mais intensa foi às 11:00»
Chamada a testemunhar na ação interposta por Casillas contra a seguradora Fidelidade — onde o ex-guarda-redes exige que o episódio seja formalmente qualificado como acidente de trabalho —, Isabel Quelhas reconstituiu a chegada do jogador à unidade hospitalar. O guardião deu entrada consciente e comunicativo, mas visivelmente aflito com uma dor torácica contínua que o impedia sequer de repousar numa posição confortável.
Segundo a médica, foi o próprio Casillas quem revelou, logo após a avaliação inicial e a realização do eletrocardiograma, ter sentido um desconforto fugaz no peito na noite anterior, ao qual não dera qualquer relevância. Um dado que Quelhas considerou vital para o diagnóstico imediato, pois permitiu descartar outros quadros como a miocardite e focar a intervenção num enfarte agudo do miocárdio.
Questionada em tribunal pela defesa da seguradora sobre essa dor na véspera, a especialista foi taxativa: fez uma distinção clara entre uma fase prévia de instabilidade da placa e a rutura fatal. «Uma coisa é instabilidade da placa, outra é a rutura da placa. Tenho a certeza que a rutura foi às 11:00, no momento de dor mais intensa», sustentou a cardiologista, admitindo que o próprio esforço do treino funcionou como gatilho mecânico e hemodinâmico para o rompimento.
O esforço como gatilho e a batalha pelos milhões
A médica frisou ainda que perante um quadro de angina o repouso absoluto é a única via indicada, reconhecendo que descargas de adrenalina e a exigência física de alta intensidade aceleram o desfecho. «Teve o enfarte porque tinha placa instável e fez exercício físico. O que provoca o enfarte é a rutura da placa», explicou, rejeitando todavia qualquer ligação direta com o jantar que o espanhol tivera com amigos na véspera.
A sessão ficou também marcada pelo confronto com outras perspetivas clínicas. O cardiologista espanhol Hans Paul Gaebelt Slocker, igualmente ouvido no processo, defendeu que uma sessão de treino dita habitual num atleta profissional de topo não bastaria, por si só, para provocar a rutura, a menos que tivesse ocorrido um «super-esforço» fora do padrão.
Em jogo nesta batalha judicial está uma indemnização avultada: Casillas exige à seguradora cerca de 750 mil euros por incapacidade temporária absoluta e mais de 1,5 milhões de euros por incapacidade permanente absoluta para a profissão habitual, montantes aos quais se somam outros pedidos indemnizatórios que elevam o litígio para perto dos quatro milhões de euros. As alegações finais deste processo estão marcadas para 28 de outubro.
Redigido com apoio de IA · revisto pela redacção do Super Portistas
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