Centralização dos direitos audiovisuais da I Liga: FC Porto ameaça com ações judiciais
A proposta de centralização dos direitos audiovisuais da I Liga, apresentada pelo CD Nacional, gerou uma forte reação por parte de André Villas-Boas, presidente do FC Porto. Villas-Boas ameaçou avançar com ações judiciais caso este modelo seja aprovado, considerando-o prejudicial para os clubes grandes e potencialmente destabilizador para o futebol português.
Em declarações na conferência Bola Branca, organizada pela Rádio Renascença, Villas-Boas classificou a proposta do Nacional como uma “ideia estapafúrdia”, defendendo o poder dos três grandes do futebol português, tanto a nível desportivo como social. Rui Alves, presidente do Nacional, respondeu às críticas, acusando Villas-Boas de ignorância sobre o tema em declarações à Antena Madeira.
A proposta do Nacional avalia os direitos audiovisuais em 250 milhões de euros anuais, com uma divisão de 87,5% para a primeira liga e 12% para a segunda liga. Este modelo difere da proposta aprovada pela Liga Portugal, que destina 90% das verbas para a primeira liga e 10% para a segunda liga. A distribuição das verbas na primeira liga seria feita da seguinte forma: 36% em parcela fixa equitativa, 44% por posição na tabela, 6% para classificação histórica, 6% para assistências nos estádios, 6% para audiências e 2% para escolha dos broadcasters.
Em comparação, o modelo aprovado pela Liga Portugal distribui 33,2% do valor de igual forma por todos os clubes, 44% para o desempenho desportivo e 17,6% para as audiências desportivas. Uma diferença notável é a ausência de consideração pelas assistências nos estádios neste modelo.
A implementação deste modelo de centralização está prevista para 2028/29. Até 30 de junho de 2026, a Liga Portugal deverá entregar o documento da autoridade da concorrência. Caso o processo avance sem contratempos, um concurso público será aberto até ao final de 2026 para a venda dos direitos audiovisuais.
Miguel Amaral, editor do zerozero, antecipa um cenário diferente a partir de 2028/29, com a entrada de novos players no mercado e a diversificação das plataformas de transmissão dos jogos da I Liga. Acredita-se que canais televisivos tradicionais, plataformas de streaming e novos projetos com transmissões gratuitas poderão disputar os direitos audiovisuais.
Inicia sessão para comentar
Precisa de fazer login para participar na conversa.